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| Colocada: Tue Aug 17,2010 5:37:07 AM |
Cimeira de Copenhaga – Políticos vs Ambientalistas
A Cimeira de Copenhaga realizou-se entre 7 e 18 de Dezembro do ano passado. Terminada sem acordo vinculativo, muitas foram as questões políticas que se confrontaram com os ideais dos ambientalistas.
Para os Ambientalistas, os resultados daquela que era considerada a mais importante cimeira jamais realizada a este nível ficaram muito abaixo das expectativas criadas, não só porque o clima está verdadeiramente a mudar, e cada vez mais se torna inegável o efeito destas alterações na vida em geral, mas por ser incontornável a necessidade dos países chegarem a acordo quanto à redução das suas emissões de gases de efeito de estufa, após 2012, ano em que expira o Protocolo de Quioto.
Os últimos estudos científicos comprovam que “as alterações climáticas estão a acontecer neste instante e que o seu impacto no planeta, na humanidade e na Natureza é cada vez mais maior e mais grave” e que mesmo os esforços mais motivados para reduzir as emissões de gases de efeito de estufa apenas poderão conter, em parte, as alterações climáticas, não evitá-las, sendo fundamental não se manter a actual situação.
É necessário que todos os países adoptem uma estratégia de acção coordenada e um compromisso com todos os países, principalmente os países desenvolvidos, os quais devem assumir as suas responsabilidades perante o cenário de aquecimento global e auxiliar financeiramente os países em vias de desenvolvimento a cumprirem as metas ambientais.
Este financiamento deve ser prioritário para os países mais vulneráveis e deve ser adicionado aos compromissos já existentes para a ajuda pública ao desenvolvimento, que representa neste momento 0,7% do PIB, os quais são ainda necessários para atingir os tão proclamados Objectivos de Desenvolvimento para o Milénio.
As ONG representaram um importante papel nesta cimeira, pois são estas as entidades que têm demonstrado aos países o contributo destes para o aumento do efeito de estufa. Cerca de uma dezena de acordos não concluídos foram também debatidos nesta Cimeira:
- Ampliar as acções de ajuda à adaptação dos países em desenvolvimento às novas realidades climáticas;
- Obter fluxos constantes de financiamento para o planeamento, concretização e avaliação desta adaptação;
- Disponibilizar apoio aos países em desenvolvimento para a elaboração de programas de adaptação e para a integração da questão das alterações climáticas em todos os programas políticos nos próximos anos;
- Proporcionar a criação de um seguro de risco climático;
- Criar um mecanismo capaz de combater as perdas e os danos resultantes das alterações climáticas, como a subida do nível do mar ou a salinização dos aquíferos;
- Reconhecer a importância dos ecossistemas naturais para uma adaptação climática com base no respeito pela comunidade humana e uma maior resistência às actuais e futuras consequências das alterações climáticas;
Etc.
O Protocolo de Quioto foi o primeiro a tentar limitar as emissões a nível mundial (estimou-se uma redução de 5% das emissões globais entre 2008 e 2012), impondo restrições aos países desenvolvidos. Foi, por isso, muito discutido ao longo dos últimos anos, um pouco por todo o mundo, o que se poderá fazer para reduzir as emissões dos gases de efeito de estufa.
No entanto, apesar de quase todos os países representados na ONU terem estado reunidos nesta Cimeira, o resultado foi desastroso. Pretendia-se que até 2020 os países industrializados reduzissem as suas emissões de gases poluentes entre 25% e 40%. Pretendia-se, também, que os países em desenvolvimento não aumentassem tanto quanto previsto as suas emissões até ao final da próxima década, mas para tal seriam necessárias ajudas para que estes países passassem a produzir energias alternativas.
A comunidade científica fez estudos segundo os quais estas seriam as percentagens necessárias da redução de emissões para que a temperatura global baixe 2ºC e assim evitar grandes mudanças no clima a nível mundial.
Da Cimeira de Copenhaga nenhum consenso chegou. Os líderes dos principais países poluidores, responsáveis por mais de metade das emissões dos gases poluentes – EUA, China, Índia, Brasil e África do Sul – não chegaram a acordo quanto à redução da emissão de gases. Para que a Cimeira não fosse um fracasso completo, acabaram por discutir um texto que ficou conhecido como o Acordo de Copenhaga.
Contudo, este acordo tem pouca importância visto que não contém o apoio dos principais líderes mundiais. Não foram definidas quaisquer metas para a redução da emissão de gases com efeito de estufa, nem quaisquer obrigações de financiamento aos países menos desenvolvidos para que estes encontrem também novas fontes de energia.
Guiados por interesses nacionais, os líderes políticos reunidos em Copenhaga ignoraram quaisquer estudos científicos e falharam no objectivo de introduzir um verdadeiro acordo. Segundo os ambientalistas, deste acordo depende o futuro do planeta e com o incumprimento dos objectivos resultantes desta Cimeira, devido a interesses políticos, podemos estar perante um atraso com muitos custos.
Fonte: Além-Mar, Nº588, Ano LIV, Janeiro 2010
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