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| Colocada: Mon Feb 8,2010 6:45:10 AM Democracia Aberta |
O Valor Económico da Língua Portuguesa
1 – A análise económica da língua: um interesse em crescimento
A análise económica da língua tem suscitado um interesse cada vez maior. Devido ao importante papel que esta desempenha no fluxo global de ideias, pessoas, capitais e mercadorias, as implicações sociais têm sido mais que óbvias e os Governos, apercebendo-se da importância da língua, têm fomentado políticas de promoção à língua encarando-a como um conhecimento valioso tanto para os cidadãos como para o país.
Do ponto de vista económico, vários estudiosos afirmam que há muito que os Governos reconheceram o impacto das línguas nas trocas internacionais e no comércio. Estudos iniciais sobre a economia das línguas concentraram-se nas suas características intrínsecas e no seu impacto sobre futuras expansões ou declínios.
As línguas são um bem público cujo valor aumenta o seu uso consoante o número de falantes dessa mesma língua. Esta língua é valorizada como parte do capital humano, como facilitador do comércio internacional e como intangível empresarial.
Foi assim proposto um modelo económico das línguas no mundo globalizado contemporâneo. Segundo este modelo, o inglês tem, na actualidade, a posição da língua hipercentral, enquanto em torno dela giram outras línguas, as línguas supercentrais. Noutros círculos, sucessivamente com menos falantes, situam-se as línguas centrais e periféricas.
O português é uma das línguas supercentrais – a par do espanhol, francês, árabe, hindi, mandarim e poucas mais. A perspectiva para estas línguas, no plano internacional, depende do seu suporte social, isto é, da sua dimensão e capacidade social, política, económica e cultural, mas também das estratégias promovidas a respeito das relações destas línguas entre si, em termos de bilinguismo e com outras línguas.
Embora o interesse sobre este assunto seja cada vez maior, a realidade é que faltam ainda muitos estudos empíricos sobre o impacto económico de uma língua, a capacidade de prever a sua evolução e de avaliar as políticas que influenciam as escolhas individuais de investimento em aprendizagem de línguas.
2 – A presença da língua portuguesa no mundo
Apesar de Portugal ser considerado um dos pioneiros da globalização, a sua influência a nível linguístico nunca alcançou a escala que o inglês, o espanhol ou o francês atingiram. Foi necessário esperar pelo crescimento populacional e pela afirmação da economia brasileira e, em parte das ex – colónias africanas, para que a língua portuguesa encontrasse o seu lugar entre as línguas globais mais importantes, ultrapassando o francês e disputando o lugar com o espanhol ou o inglês.
Numa época de globalização, voltamos a ter espaço no cenário internacional por via da língua, o único activo que restou da nossa expansão marítima. Os processos de globalização actuais ultrapassam a vertente económica e possibilitam e aceleram as trocas a todos os níveis, trocas estas que podem ser poderosamente beneficiadas através da língua. A língua portuguesa pode ser hoje um forte instrumento para disputar um lugar importante no contexto internacional a nível político e cultural, mas também económico.
A expansão marítima que Portugal empreendeu nos séculos XV e XVI levou a que uma língua falada por menos de um milhão de pessoas se estendesse por vários continentes, principalmente pela América do Sul, África e Ásia. O português tornou-se língua oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné – Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor.
Embora nem todos os naturais dos países lusófonos falem português, o universo é consideravelmente grande. Alguns falantes permanecem ainda noutros pequenos territórios tais como Goa (índia) e Macau (China) para além dos emigrantes portugueses que se encontram um pouco por todo o mundo. Historiadores como Ostler colocam a língua portuguesa no restrito conjunto das grandes línguas mundiais, mais concretamente como a sétima língua com mais falantes no mundo.
A língua portuguesa inspirou também uma comunidade – a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – que reúne todos os países com falantes do português. Esta associação é semelhante à Commonwealth (países falantes do inglês), a La Francophonie (países falantes do francês) ou à Liga de Estados Árabes (falantes de árabe).
A influência da língua portuguesa pode ainda estender-se (não só pela via do crescimento demográfico) através dos dispositivos tecnológicos e dos conteúdos virtuais próprios da comunidade em rede na qual actualmente vivemos. São processos que podem proporcionar crescentes efeitos de rede a par dos movimentos relacionados com os fluxos migratórios, comerciais e culturais. Actualmente, o português é também uma língua proeminente nos meios de comunicação emergentes proporcionados pela internet com cerca de 240 milhões de utilizadores em todo o mundo (Dados de 2008).
3 – A Língua portuguesa e os seus efeitos na rede de comunicações
Considerando o efeito de rede, quanto maior for o número de falantes de uma língua, maior será o seu impacto. A explosão recente do interesse pelo mandarim, uma língua muito difícil para não nativos, está seguramente relacionada com o continuo crescimento chinês das últimas décadas, facilitando o poder de compra aos naturais da China e a expansão de outros interesses como o uso da internet.
O efeito de rede tem um impacto significativo na migração e na integração dos migrantes. O migrante tem menos dificuldades de adaptação se o país anfitrião partilhar a sua língua. Nas duas últimas décadas, Portugal atraiu um elevado número de imigrantes. A população residente aumentou graças à chegada de imigrantes, apesar do declínio da taxa de natalidade.
Cerca de 50% dos imigrantes são oriundos de outros países da CPLP, sendo o grupo de falantes da língua espanhola, naturais dos países latino – americanos, o segundo grupo mais numeroso no nosso país, cuja dificuldade para aprender a língua do país de acolhimento é muito reduzida. Quando uma sociedade tem uma larga maioria de indivíduos que partilham a mesma cultura, os membros de grupos minoritários serão assimilados mais rapidamente. Deste ponto de vista, Portugal deverá ter menos dificuldade com a assimilação, pois os imigrantes de línguas muito diferentes não constituem grandes comunidades.
A questão da emigração portuguesa também importa neste assunto. A primeira grande vaga de emigração portuguesa partiu, não tanto pelas afinidades linguísticas, mas pelas oportunidades económicas que o quadro da Europa e da América do Norte ofereciam. A persistência do uso do português nas populações emigrantes é variável. Depende muito da antiguidade da emigração, da geração de emigrantes em causa e da intensidade da assimilação por parte da sociedade de acolhimento.
Sabe-se que a comunicação com familiares, as actividades económicas e empresariais, os vários consumos culturais, o lazer ou o turismo e ainda outras iniciativas institucionais públicas e privadas de promoção da língua e cultura portuguesas constituem outros factores que mantêm e actualizam a ligação dos emigrantes aos seus descendentes e às redes de falantes do português.
4 – O valor da língua portuguesa na percentagem do PIB nacional
A língua tem desempenhado um papel muito importante no aumento da capacidade produtiva das sociedades. Uma mesma cultura e língua são facilitadores do comércio, enquanto que os indivíduos que só conhecem línguas diferentes enfrentam fortes barreiras na concretização de trocas comerciais. A importância da comunicação e da compreensão é muito elevada em algumas actividades, tais como o ensino ou os meios de comunicação, enquanto noutras, como a indústria transformadora, desempenha um papel menor.
È inegável que a língua contribui para o PIB nacional. Se identificarmos as actividades principais ou os produtos nos quais a língua é uma componente – chave temos a imprensa, a rádio, a televisão e as telecomunicações e aliado a estas as actividades que as suportam como as fornecedoras de produtos tais como a indústria de papel ou de fabrico de rádios e televisões, contudo, esta importância da língua já é muito baixa em actividades como a agricultura ou a extracção de minérios.
Em resultado desta análise, percebemos que a língua contribui para o PIB em áreas tão diferentes como a impressão (91%), correio e telecomunicações (95%), educação (82%), recreio, cultura e desporto (40%) e administração pública (25%). Em níveis mais baixos de contributo encontramos a agricultura (0,6%), electricidade e gás (0,04%) ou a remoção de resíduos sólidos (0,07%).
Assim, em Portugal, encontramos os seguintes valores (em % do PIB) agregados à língua:
- Agricultura, florestas e pescas: 0,5%;
- Electricidade: 0,06%;
- Indústria transformadora: 8,6%;
- Construção Civil: 0,07%;
- Serviços de mercado: 14,9%;
- Outros serviços: 29,2%
O valor da língua portuguesa é de aproximadamente 17% do PIB nacional, o que nos demonstra que possuímos actividades nas quais o conteúdo da língua é superior ao da economia de outros países, principalmente na actividade dos serviços.
5 – A importância das personalidades e das marcas
O interesse e a utilização de uma língua, neste caso o português é simultaneamente causa e consequência do conhecimento e interesse por personalidades culturais, artísticas, políticas ou desportivas e marcas associadas a essa língua.
Se fizermos um questionário a pessoas estrangeiras solicitando que nomeiem pessoas e marcas da língua portuguesa, encontramos respostas muito homogéneas. Os dados mostram que é mais fácil identificar pessoas de língua portuguesa com elevados níveis de notoriedade na área da política, literatura, desporto ou música, do que identificar marcas com semelhante notoriedade.
É inegável que o reconhecimento internacional de uma língua e dos países que a falam se faz mais pela cultura, pela política e pelo desporto, do que pela economia ou pelas marcas empresariais. Ao contrário do que acontece noutras regiões económico-linguísticas, não há marcas portuguesas de referência global.
Em primeiro lugar, na lista de personalidades mais referidas, aparecem o actual presidente do Brasil e o futebolista brasileiro Ronaldinho Gaúcho. Outros três futebolistas de renome mundial aparecem nas posições seguintes: Cristiano Ronaldo, Figo e Ronaldo, seguidos com percentagens muito aproximadas por Fernando Pessoa e José Saramago. Desta lista, embora com percentagens mais baixas, aparecem Paulo Coelho, Amália Rodrigues e Luís de Camões.
O conjunto de personalidades onde se incluem os escritores, poetas, cantores, e também os políticos, é o que tem mais notoriedade. De notar que desta lista apontada são mencionadas personalidades portuguesas e brasileiras. Se fizermos o mesmo inquérito a pessoas residentes em países lusófonos, já encontramos personalidades como a atleta moçambicana Maria de Lurdes Mutola ou Pedro Mantorras.
Nesta lista aparecem também políticos como o actual presidente angolano José Eduardo dos Santos ou o antigo presidente moçambicano Joaquim Chissano, mas também escritores como Mia Couto e Pepetela. Aparecem ainda cantores como Bonga (Angola), Roberto Carlos (Brasil); um artista plástico moçambicano, Malangatana; e os futebolistas Roberto Carlos e Figo.
Em relação às marcas, observamos que a notoriedade é muito menor do que a das personalidades. Isto deve-se, por exemplo, ao facto de muitas empresas de língua portuguesa não utilizarem os seus nomes de marca no estrangeiro. Um exemplo interessante é o da empresa Jerónimo Martins, que denomina a sua subsidiária na Polónia como Biedronka, a palavra polaca para “joaninha”.
Se inquirirmos pessoas não lusófonas acerca de marcas de língua portuguesa conhecidas, obtemos uma lista de marcas exclusivamente brasileiras e portuguesas. Em primeiro lugar encontramos a petrolífera brasileira Petrobrás, seguindo-se a transportadora aérea portuguesa, TAP. Seguidamente, surge uma marca de cerveja (Sagres), um retalhista (Pingo Doce/Jerónimo Martins) e um banco (BCP/Millenium), todas elas marcas portuguesas.
No final desta lista encontramos então várias marcas brasileiras: uma marca de bebidas Guaraná Antárctica, uma marca de doces (Garoto), outra de calçado (Havaianas e Azaléia).
No mesmo inquérito feito a residentes de países lusófonos encontramos quatro marcas que não são africanas: as portuguesas Soares da Costa (construção), Sagres (cervejas), Portugal Telecom (comunicações) e a brasileira Odebrecht (construção). A marca com mais notoriedade para a população lusófona é a petrolífera angolana Sonangol, seguida por duas marcas moçambicanas: a Gringo (jeans) e a Mcel (telecomunicações móveis).
A fechar a lista, as empresas Portugal Telecom, Unitel e Vodacom (as duas últimas, marcas de comunicações móveis de Angola e Moçambique, respectivamente), bem como a construtora brasileira Odebrecht.
6 – O Português e outras línguas
Se atentarmos ao universo dos estudantes, o uso de outras línguas para além da materna é muito comum. Neste estudo, 95% dos estudantes inquiridos afirma usá-las, sendo o inglês a língua mais falada, lida e escrita, respectivamente por 77%, 85% e 77% deles. O espanhol é a segunda língua não materna mais utilizada, com 42%, 49% e 37% (falar, ler, escrever) e, em terceiro lugar, o francês.
Se analisarmos quais as línguas europeias mais faladas no mundo, constata-se que a mais citada é o inglês (mencionado por 93% das pessoas), de seguida surge o espanhol (com 70%), em terceiro lugar, o francês (com 59% de respostas) e, em quarto lugar, a língua portuguesa, falada por 55% dos inquiridos.
Importa saber que motivos levam os estudantes não nativos a aprender Português. Em primeiro lugar, estes argumentam que decidiram aprender a língua portuguesa por considerarem importante para o seu futuro saber mais línguas do que a sua língua materna. Estes estudantes sabem que o inglês é, actualmente, a língua mais utilizada no mundo. Grande parte deles demonstra ter a percepção de que nada garante que a língua inglesa continue a ter primazia a nível mundial, uma vez que a economia norte-americana tem vindo a confrontar-se com problemas enquanto a União Europeia ganha força económica, a par de outras economias emergentes, como a China, a Índia e o Brasil.
Não é de estranhar que considerem o Português como uma das línguas que poderá vir a revelar maior importância no futuro. A questão da globalização também tem a sua importância aqui, uma vez que os inquiridos neste estudo revelam ter decidido aprender o português porque este os ajuda a comunicar com pessoas de outros países, bem como para saber mais sobre as culturas lusófonas.
Também deste estudo, retiramos a ideia de que a aprendizagem do Português possibilita a estes estudantes a hipótese de obter ou progredir no emprego, encarando o domínio da língua portuguesa como uma mais-valia profissional. Isto revela que o Português assume uma importância inegável no mercado de trabalho. Outro dado interessante a reter deste estudo é a percentagem de inquiridos que apontam como um dos motivos para a sua aprendizagem o facto de a língua portuguesa estar a crescer.
7 – O uso da língua portuguesa no futuro
Neste mesmo estudo, inquirimos os estudantes se pensavam utilizar a língua portuguesa no futuro, obtendo o resultado de 93% para o “sim”. Muitos demonstram vir a utilizar a língua em situações de trabalho, o que significa que a nossa língua parece ser bastante valorizada como um importante investimento em capital humano.
Somos incontornavelmente um país vocacionado para o turismo. É nesta vertente que 75% dos estudantes inquiridos pensa vir a utilizar o português para viajar, o que nos permite perceber que os países lusófonos se destacam como destinos turísticos desejados. Em suma, conclui-se que as pessoas não nativas que aprendem português fazem-no com os objectivos de viajar, comunicar, trabalhar e desenvolver outras actividades de lazer.
8 – A importância da língua portuguesa
O resultado deste estudo permite perceber o modo como estes estudantes encaram a língua portuguesa e que importância lhe atribuem. Todos afirmaram que saber línguas é importante para o sucesso no mercado de trabalho. Estas pessoas têm noção de que o português é uma língua em crescimento, que saber português tem valor no mercado de trabalho e na obtenção de negócios e que se encontra em expansão mundial, favorecida pelos novos tempos da globalização.
Inquiridos sobre o modo como pensam que a língua portuguesa irá evoluir, constatámos que a maioria (75%) acredita que o número de pessoas falantes do Português vai crescer no futuro e, embora em menor percentagem, também é significativo o número de estudantes que consideram que a importância da língua portuguesa vai aumentar na área do trabalho e dos negócios.
Sessenta e quatro por cento destas pessoas acreditam também que o ensino do português vai crescer e que a importância desta língua para o turismo vai aumentar, bem como para a área da cultura. A ideia geral é, portanto, de que a língua portuguesa vai assumir uma importância crescente em qualquer um destes planos.
9 – Conhecimento de aspectos relacionados com a língua portuguesa
Uma língua é também símbolo de uma cultura, de uma Nação e de tantas outras questões ligadas a estas. Aos inquiridos deste estudo, pedimos que nomeassem países onde o português é língua oficial, excepto Portugal. Do resultado obtido, o Brasil é o país mais citado (81%), seguido de Angola (73%) e Moçambique (72%), estando Timor-Leste em último lugar nesta tabela, com apenas 31% de respostas.
Em relação à quantidade de falantes do Português no mundo (que já rondam os 240 milhões), questionámos estes estudantes para que nos dessem uma estimativa em milhões desse número de falantes. A resposta mais referida foi “200 milhões”, o número mais próximo da realidade, o que demonstra uma ideia não muito errada do número efectivo de falantes do Português a nível mundial.
Também se lhes perguntou se conheciam algumas das organizações relacionadas com a língua portuguesa. O resultado das respostas dos estudantes não residentes em países lusófonos mostrou que 54% dos inquiridos conhecem a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), 31% já ouviram falar do Instituto Internacional de Língua Portuguesa e apenas 8% sabem da existência do Observatório da Língua Portuguesa. Comparativamente com as respostas dos estudantes de países lusófonos, estes mostraram, na sua maioria, um maior reconhecimento face às organizações relacionadas com a língua portuguesa.
10 – Indicadores relativos a consumos culturais em língua portuguesa
Vivemos numa era global na qual os meios de comunicação possuem um importante papel de difusão de uma língua. A disseminação desta língua proporciona que a cultura e os produtos culturais de um determinado país estejam à disposição do resto do mundo. Como não pode deixar de ser, estes consumos culturais em língua portuguesa têm uma elevada importância para a economia.
Durante este estudo, observámos que os estudantes dos países da CPLP e da América do Norte são os que apresentam maior frequência no que diz respeito a consumos culturais em língua portuguesa.
Relativamente à internet, concluiu-se que, a nível global, a maioria dos estudantes visita sites em português. No entanto, esta actividade é mais comum nos países da CPLP (98%), América do Norte (92%) e Europa de Leste (91%). É na Ásia que os estudantes menos consultam sites em português (53%). É também possível verificar que o português é mais utilizado na internet por razões profissionais nos países da CPLC (30%), América do Norte (26%) e Ásia (23%), sendo o continente africano o que regista valores mais baixos (7%).
No que se refere a ver filmes, televisão ou ouvir rádio e música em língua portuguesa, concluímos que 81% dos estudantes de países da CPLP o fazem diariamente. Na América do Norte, 29% dos inquiridos afirmam realizar este tipo de actividades diariamente. Em terceiro lugar, aparece a América Latina, com 16% dos inquiridos a afirmarem ver filmes ou televisão e ouvir rádio ou música em Português.
Quanto à leitura de livros, jornais ou revistas em português, os valores mais altos voltam a ser registados nos países da CPLP, com uma percentagem de 69% dos estudantes a afirmar fazê-lo todos os dias. Neste caso, é o continente africano que aparece em segundo lugar, com 24% dos inquiridos a declararem ler em português. O mesmo se passa com os resultados obtidos nos inquéritos relativos à frequência de espectáculos ou de exposições de artistas de língua portuguesa.
Os resultados mantêm-se iguais com os estudantes dos países da CPLP a figurarem em primeiro lugar e os da América do Norte ou Sul no que toca a assistir, pelo menos uma vez por mês, a conferências ou palestras em português, bem como quanto à frequência de compra de livros em português.
O mesmo se verifica com a compra de jornais ou revistas em português. Nos países da CPLP, 16% dos estudantes fazem-no todos os dias, embora na América do Norte só 4% o afirmam fazer. Finalmente, são uma vez mais os estudantes dos países da CPLP que compram CD’s ou DVD’s em português, ao menos uma vez por mês.
Em suma, nos países da CPLP nos quais a língua oficial é o português é esperado que os consumos culturais em língua portuguesa sejam realmente mais frequentes do que noutras partes do mundo. No entanto, a América do Norte registou bons resultados nestes indicadores, o que poderá estar relacionado com a forte presença de emigrantes e seus descendentes nos EUA e no Canadá.
Síntese do artigo “Valor Económico da Língua Portuguesa: Contributos Metodológicos e Empíricos”, elaborado por autores vários e promovido pelo Instituto Camões, pelo ISCTE e pela CIES, 2009.
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BackstageEL
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| Colocada: Tue Mar 30,2010 4:42:18 AM BackstageEL |
Oi,
Sou de Moçambique e fiquei muito interessado nos dados deste texto. Gostaria de saber como foi feito o inquérito, por exemplo para determinar a marca com maior notoriedade na lusofonia.
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