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As Universidades seniores como forma de combate à solidão e à exclusão social
 
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Autor Mensagem
 
  Colocada: Thu Dec 3,2009 6:12:28 AM Democracia Aberta

As Universidades seniores como forma de combate à solidão e à exclusão social


1- O crescimento das Universidades Seniores


São em cada vez maior número as Universidades Seniores em Portugal. O número de pessoas inscritas é, também ele, cada vez maior, com predominância do sexo feminino. As Universidades da Terceira Idade surgiram na década de 70, em França, na Universidade de Toulouse. Os seus princípios básicos ainda hoje se mantêm inalteráveis, nomeadamente, desenvolver o convívio salutar e útil entre os seniores, combater a exclusão social e proporcionar aos mais velhos a possibilidade de aprenderem ou ensinarem. Este movimento chegou a Portugal em 1976, com a criação da Universidade Internacional da Terceira Idade de Lisboa.


As Universidades Seniores são um projecto que, além de educativo e formativo, são também um projecto social e de saúde, que contribui para a melhoria da qualidade de vida dos seniores, evitando o isolamento e a exclusão social. O projecto europeu de formação ao longo da vida tem como objectivos fundamentais: fomentar uma cultura de aprendizagem para motivar os estudantes, aumentar os níveis de participação e demonstrar que é indispensável aprender em qualquer idade; e valorizar a educação e a formação, tanto formal, como informal. De salientar que este projecto permite a troca de saberes e a valorização das pessoas enquanto seres e participantes activos na sociedade.


Assim, as Universidades Seniores pretendem atingir os seguintes objectivos:

- Melhorar a qualidade de vida sénior;
- Oferecer um espaço de vida socialmente organizado e adaptado à idade;
- Incentivar a participação sénior em actividades sociais, culturais e de lazer;
- Divulgar a história, cultura, tradições e valores;
- Fomentar o voluntariado na e para a comunidade;
- Incentivar um espírito de convivência, tolerância e solidariedade humana e social;
- Divulgar os serviços, deveres e direitos dos seniores;
- Proporcionar aos alunos um espaço onde possam divulgar, valorizar e ampliar os seus conhecimentos;
- Desenvolver as relações inter-pessoais e sociais entre as diversas gerações;
- Trabalhar em articulação com outras instituições particulares e públicas.


Nestas Universidades os professores trabalham em regime de total voluntariado e muitos deles encontram-se também reformados, mas para se ser professor numa Universidade sénior não é necessário ser licenciado na área, ou ser mesmo professor. As propinas são muito acessíveis e os alunos têm uma grande variedade de actividades a realizar, bem como um vasto leque de matérias. As aulas acabam por ser um saudável debate de troca de ideias e experiências, uma vez que estas pessoas têm uma longa experiência de vida acumulada.



O modelo seguido pelas Universidades da Terceira Idade diz respeito a uma proposta pedagógica que procura trabalhar e desenvolver o conceito de educação permanente em que se promove a actualização de conhecimentos dos idosos e o exercício da cidadania. Em Portugal, o modelo que prolifera é a ocupação dos tempos livres através de actividades de lazer, em que se visa a actualização de conhecimentos, a promoção da sociabilidade, a redefinição das representações de velhice e se procura rearticular as suas concepções e o conjunto de práticas sobre o envelhecimento.



Os projectos nas Universidade da Terceira Idade desenvolvem-se, quer pelo prisma que possibilita a integração social destes cidadãos no mundo contemporâneo em constante mutação, quer pelo ênfase colocado na capacidade das pessoas se superarem, de renovarem a sociedade e a si próprias. Há ainda um outro factor de interesse para os alunos: o facto destas Universidades privilegiarem o princípio do prazer como determinante do seu funcionamento, isto porque não exige pré-requisitos formais para o aluno sénior se inscrever, ou seja, o aluno não precisa de apresentar diplomas, nem certificados de cursos anteriores.


2- Um meio de combater a solidão, o isolamento e a exclusão social


È um facto inegável o envelhecimento considerável da população. As pessoas vivem mais anos, com maior qualidade de vida e também, com maior predisposição para o lazer e para a cultura. É também um facto incontestável o flagelo da solidão, do isolamento e da exclusão social nos idosos.


Devido a mudanças estruturais da sociedade portuguesa e, principalmente, do núcleo familiar, o idoso deixou de fazer parte do grupo familiar central, passou a viver sozinho ou em instituições, sendo que o isolamento e a solidão são inevitáveis. È necessário e prioritário desenvolver um envelhecimento activo na nossa sociedade, auxiliando estes idosos a viverem de forma saudável em comunidade.


As Universidades Seniores constituem, portanto, uma forma eficaz de combater a solidão e a exclusão social e de promoverem o envelhecimento activo. É importante que estas pessoas se sintam activas e úteis para a sociedade, que se sintam satisfeitas com a vida e que possam usufruir da vida em tempo de reforma laboral, aproveitando-o para fazerem o que não tinham tempo enquanto trabalhavam. É esta satisfação pela vida que ajuda o idoso a combater a solidão e o isolamento e o faz integrar-se na sociedade, de forma activa.


Para que um idoso se mantenha activo, feliz com a vida e, consequentemente, integrado na sociedade é importante que continue a estimular as suas capacidades cognitivas. Como tal, sob o lema da aprendizagem ao longo da vida, as Universidades Seniores assumem um papel de relevo. A educação e formação ao longo da vida visam promover o desenvolvimento pessoal e o sentido de iniciativa das pessoas, a sua integração na vida activa e na sociedade, a sua participação no processo de decisão democrática e a sua aptidão para se adaptarem às mudanças económicas, tecnológicas e sociais do ambiente que as rodeia.


Não podemos assim, encarar a actividade como exclusiva do trabalho, mas antes a possibilidade de desempenhar tarefas que contribuam para a formação de uma auto-percepção positiva. A actividade evita a sensação de envelhecimento, o aborrecimento, a solidão e a rotina. Em suma, a actividade pode significar desempenhar tarefas diversificadas de voluntariado, assim como também desenvolver em simultâneo actividades físicas e/ou intelectuais, actividades de solidariedade e actividades sociais.


Não há consenso quanto à idade certa do declínio cognitivo, mas sabe-se que só a partir dos 70 anos é que algumas capacidades cognitivas de aptidão verbal e memória verbal começam a decrescer. Até lá, com maior ou menor intensidade, as capacidades cognitivas de uma pessoa permitem-lhe aprender novas coisas ou transportar a experiencia vivenciada para novos desafios.



Os alunos das Universidades para a Terceira Idade procuram o envolvimento social e informação significativa que lhes permita lidar com o envelhecimento de uma forma satisfatória. Na velhice o tempo de lazer é aproveitado por algumas pessoas, como sendo uma oportunidade para se manterem activos. É o tempo em que há mais liberdade, em que se pode ter acesso a actividades que preencham as horas livres de uma forma gratificante e agradável, nomeadamente, actualizando os seus conhecimentos nas Universidades da Terceira Idade. Nestas instituições também se pode usufruir de um convívio satisfatório e evitar a solidão.



Cada vez mais os próprios idosos rejeitam as representações negativas a respeito da idade e vencem os preconceitos, os estereótipos e barreiras que os cercam e procuram novos espaços e novas formas de participação social. Multiplicam-se em Portugal programas de lazer e de convívio, nomeadamente: danças de salão, programas de lazer e de convívio, Universidades da Terceira Idade, organizações, Turismo Sénior, etc. Estas actividades de lazer implicam que os idosos deixam de ser clientes do Estado e passam a ser consumidores de serviços. Os programas de lazer e de convívio/Universidades da Terceira Idade transformaram-se num modelo que é aceite por todos e que constitui uma alternativa de política social.



Foi o surgimento de uma sociedade industrial e de classes – com a sua velocidade particular e a generalização do estatuto descartável atribuído a tudo que não acompanhe essas mudanças que explica a marginalização a que os idosos são sujeitos actualmente. Valorização social e estratégias de socialização aparecem assim como alternativas a essa condição de exclusão. Apoiar e fomentar projectos como as Universidades Seniores é uma forma de evitar a solidão dos idosos, introduzindo-os em actividades úteis e na vida em comunidade.


A educação surge assim como um dos principais factores positivos na luta contra a exclusão social na terceira idade e contra a solidão. A aprendizagem é uma estratégia de socioterapia, capaz de promover e estimular a integração social. Nesta perspectiva, a educação é um instrumento de promoção social possibilita um envelhecimento melhor para aqueles que mantêm a mente activa através de actividades educativas.


Outro factor importante para a criação de bem – estar nos idosos é o facto da frequência nas Universidades seniores permitir aos idosos sentirem-se como cidadãos activos e participantes, recuperando a sua auto-estima por poderem mostrar à sociedade e aos seus familiares a sua capacidade de agirem sós e lutarem pelos seus direitos de cidadania, tornando-se elementos socialmente intervenientes.


A maioria dos alunos são reformados, do sexo feminino e sofreram perdas de todo o tipo: perda do papel profissional, perda dos papéis domésticos de relevo, perda do status dentro da comunidade, perda das relações com os colegas de trabalho, perda da importância como trabalhador, perda do respeito e consideração dos familiares, perda de amigos e de parentes próximos, diminuição da rede social do indivíduo. Todos estes factores são contributivos para uma crise de identidade, um sentimento de envelhecimento, de inutilidade e consequente quebra de bem – estar. Estes sentimentos podem levar, inevitavelmente, a uma atitude de isolamento social, à solidão.


Estudos demonstram que os idosos que frequentam estas Universidades revelam maior bem – estar e maior satisfação perante a vida. Os programas educacionais das Universidades Seniores incentivam e preparam o indivíduo para a participação em actividades sociais, propiciando melhor qualidade de vida para si mesmo e para os seus companheiros da mesma faixa etária.


O plano de educação nestas Universidades não se processa da mesma forma que noutras Universidades, regendo-se pelo método principal da troca de saberes entre os conhecimentos adquiridos pelos alunos ao longo da vida de maneira empírica e informal e os conhecimentos científicos ministrados pelos professores, permitindo também que estas pessoas se mantenham actualizadas face ás constantes mudanças e evoluções tecnológicas actuais. O resultado desta permuta de saberes traduz – se pela interacção entre o viver e o saber, promovendo nos alunos a aquisição de competências para melhor compreenderem as pessoas e o mundo onde interagem e assim poderem viver melhor. As aulas de informática, com grande adesão por parte das pessoas com mais de 50 anos, são exemplo disto. É também inegável que a internet pode contribuir para a quebra do isolamento e da solidão em que vivem muitos idosos.


Com uma vertente muito importante na questão da (re) socialização destes idosos, as Universidades da Terceira Idade tendem a estabelecer relações de sociabilidade dentro e fora das aulas, ajudando as pessoas sós a conviverem com outras pessoas, permitindo – lhes formar novos grupos e aumentar o seu interesse pela vida.


A importância da amizade na terceira idade é muito grande. Muitos idosos vivem sozinhos por morte do cônjuge ou afastados da família ou dos filhos e a ida às aulas nestas Universidades permite angariar novas amizades que quebram e impedem a solidão e o isolamento, permitindo a superação da falta de afecto, a convivência, as conversas e as relações sociais fora e dentro da Universidade. A existência destas redes sociais na terceira idade é de extrema importância no combate á exclusão social e ao envelhecimento. Frequentar as Universidades seniores permite aos idosos manterem-se activos, úteis, estimulados intelectualmente, sociáveis, acompanhados e felizes.


Em suma, as Universidades da Terceira Idade representam uma estratégia preventiva da solidão ao criar espaços para o lazer e convívio. Concomitantemente, promovem um envelhecimento bem sucedido, isto é, saudável e produtivo, ao diminuir os traumas que, por vezes, acometem as pessoas que não aprendem a lidar adequadamente com o passar dos anos. Promovem de igual forma a consciencialização e um maior controlo do seu conhecimento e dos seus pensamentos, assim como uma maior consciencialização social e emancipadora, pois desenvolvem competências para a cidadania.


Fontes:

http://www.cm-benavente.pt/NR/rdonlyres/2489B047-2CF6-460A-B9E5-2974C0A1C19A/0/UniversidadeSenior.pdf
http://rutis.terradasideias.net/documentos/conteudos/tesedoutoramentoUTIsHelenaMonteiro.pdf



 
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