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| Colocada: Mon Jul 13,2009 6:42:41 AM Democracia Aberta |
Gripe – Prepare-se e Previna-se – Conselhos da Cruz Vermelha Portuguesa
1 – Constipado ou com gripe? Algumas diferenças
A gripe é uma doença respiratória aguda causada pelo vírus influenza, sendo altamente contagiosa e facilmente transmissível de pessoa para pessoa. É transmissível por via área, quando infectado fala, tosse ou espirra ou pelas mãos, tocando numa pessoa infectada ou em superfícies contaminadas com o vírus, que sobrevive vários dias num objecto. Os sintomas da gripe são semelhantes aos de uma constipação comum, embora se apresentem com maior gravidade.
Existem diferenças entre a gripe e a constipação. A nível sintomático, a gripe provoca febres altas, que podem durar 3 a 4 dias, enquanto a constipação comum é raro provocar febre, bem como sintomas como a dor de cabeça e as dores musculares que nos casos de gripe podem ser muito intensas, mas numa constipação ocorrem muito raramente.
A fadiga marcada é outro dos sintomas que num caso de gripe pode durar cerca de 2 a 3 semanas ou mais, enquanto numa constipação comum pode-se verificar, mas sempre de forma moderada. O mesmo sucede com a fadiga debilitadora, cujos sintomas num caso de gripe podem ser muito debilitantes.
O lacrimejo, a congestão nasal, o espirro e a dor de garganta são sintomas que raramente ocorrem em casos de gripe, mas são sintomas frequentes nos casos de constipação. Em relação às complicações que advêm destes dois tipos de doenças, no caso da gripe, as maiores complicações são a deficiência respiratória que pode levar a uma situação crónica e pôr a vida em risco. No caso da constipação as complicações são o nariz entupido e as dores de ouvidos.
2 – Gripe sazonal ou gripe pandémica?
Em Portugal a temporada de gripe começa no Outono e termina na Primavera. O tipo de gripe que ocorre nesta época é chamado de gripe sazonal. Este tipo de gripes sazonais têm recuperação rápida e não necessitam, geralmente, de tratamento médico especial. Para prevenir, as autoridades de saúde produzem vacinas contra a gripe que são recomendadas a todas as pessoas mais vulneráveis a este tipo de gripe.
No entanto, os vírus que causam a gripe estão em permanente mudança, podendo surgir novos vírus para os quais as pessoas não têm defesas. Quando isto acontece, o novo vírus propagar-se-á mais facilmente de pessoa para pessoa e atingir milhares de seres humanos e num curto espaço de tempo, causando situações de doença grave e morte. A esta situação chamamos de gripe pandémica.
Numa pandemia, o vírus pode ser ou não severo, no entanto, a propagação de um vírus à escala global é sempre motivo de grande preocupação, isto porque, numa situação de gripe pandémica, qualquer pessoa está em risco de doença grave ou morte. Mesmo que a doença seja atenuada, implica que o suspeito de estar doente permaneça em casa de quarentena com todos os transtornos inerentes.
Ao contrário da gripe sazonal, não existem vacinas para a gripe pandémica, por se tratar de um vírus novo. É necessário algum tempo para que os cientistas conheçam o vírus, criem uma nova vacina e a produzam em quantidade suficiente para ser administrada a tempo.
A pandemia de gripe atinge periodicamente a humanidade e afecta a maioria dos países do mundo. Nos últimos cem anos, registaram-se grandes pandemias de gripe, nomeadamente a Gripe Espanhola (1918 – 1919) que causou 20 a 40 milhões de óbitos a nível mundial, afectando, essencialmente, a faixa etária dos jovens. A Gripe Asiática (1957 – 1958) que provocou 1 milhão de mortos a nível mundial, sendo que, os bebés e a faixa etária dos idosos foram os grupos etários mais afectados e a Gripe de Hong – Kong (1968 - 1969), responsável pela morte de 1 a 4 milhões de pessoas, afectando principalmente os idosos e as pessoas doentes.
3 – Preparação e prevenção no caso de Gripe pandémica
Durante uma pandemia, é natural que as autoridades imponham restrições de actividades, movimentações ou viagens para evitar a propagação do vírus. É também passível que se peça à população que permaneça em casa por um período de tempo prolongado, mesmo às pessoas que não estão doentes. Nesta situação poderão fechar, temporariamente, as escolas, os locais de trabalho e os lugares de maior concentração de pessoas. Os transportes públicos poderão também ser limitados. Assim, o absentismo ao trabalho poderá ser muito elevado. Os serviços básicos, como o fornecimento de água, gás, electricidade, transportes, comunicações e policiamento, poderão ser muito afectados.
No caso de uma gripe pandémica há algumas medidas a tomar para reduzir o risco de contágio. Primeiro há que estar convenientemente informado e respeitar as indicações dos técnicos de saúde relativamente a restrições de viagens ao estrangeiro, encerramento de lugares públicos e outras medidas de saúde. Evitar aglomerados de pessoas, transportes públicos, elevadores, salas de espera, reuniões, bancos, supermercados, lugares públicos em geral sempre que possível.
Deve também manter uma boa higiene pessoal, lavando frequentemente as mãos, de forma a reduzir a transmissão do vírus através das mãos para a cara ou para outras pessoas. As mãos podem estar contaminadas e a pessoa não estar infectada, na medida em que a infecção pressupõe a introdução e o desenvolvimento do vírus no organismo.
Cobrir o nariz e a boca quando tossir ou espirra, usando, sempre que possível, um lenço de papel e lavando as mãos de seguida. É outra das medidas a tomar. Desfazer-se dos lenços de papel usados, colocando-os cuidadosamente num saco fechado e depois no lixo. Manter as mãos afastadas dos olhos, do nariz e da boca para evitar que os gérmens se introduzam no corpo.
Devem-se utilizar máscaras faciais sempre que haja necessidade de frequentar lugares públicos, lembrando-se que as outras pessoas podem estar infectadas e não apresentarem sintomas. As áreas de trabalho e da vida quotidiana devem-se manter limpas, nomeadamente, as superfícies que estão mais frequentemente em contacto com as mãos (como por exemplo, telefones, mesas de refeições, maçanetas das portas, torneiras, etc.) e desinfectar estas superfícies com uma solução de água e lixívia, por exemplo.
Evitar viagens ao estrangeiro no caso de uma epidemia é também recomendável. No caso de ficar doente, deve permanecer em casa, descansar muito, beber muitos líquidos e seguir rigorosamente as indicações do médico e das autoridades de saúde.
No caso de entrar em contacto com uma pessoa doente, deve ficar de quarentena, mesmo que não apresente sintomas de gripe, a fim de proteger a sua saúde e a saúde dos outros e evitar a disseminação da doença. Neste caso, a quarentena significa ficar durante três dias, desde o contacto com a pessoa doente, até à confirmação ou negação da doença. Deve manter uma distância mínima de um metro dos familiares, reforçar as medidas de higiene pessoal, lavar todos os objectos pessoais e utilizar uma máscara facial.
No caso de estar realmente doente, desde as primeiras 24 horas anteriores ao aparecimento dos sintomas, o risco de contágio é muito elevado, tal como nos cinco dias seguintes ao desaparecimento dos sintomas. O doente deve ficar isolado num quarto com a porta fechada e o isolamento deve durar pelo menos sete dias ou até os sintomas desaparecerem. O quarto do doente deve ser arejado com frequência e todas as superfícies duras ou objectos em que o doente mexa devem ser muito bem lavados com água e sabão ou água e lixívia. O doente não deverá receber visitas e o apoio médico deve ser dado por telefone ou através da linha de saúde da Direcção Geral de Saúde.
O doente e todas as pessoas que habitam na mesma casa devem lavar as mãos frequentemente, os objectos de higiene pessoal do doente devem ser mantidos afastados do resto da família, a loiça e a roupa também deve ser separada. Os membros da família saudáveis devem permanecer em casa, pelo menos até 3 dias, após o desaparecimento dos sintomas gripais. Quem presta cuidados directos ao doente deverá ter cuidados extra de protecção, usando luvas, máscara facial e vestuário apropriado.
3. 1 Cuidados a ter em casa e com os vizinhos, nas compras, no local de trabalho ou na escola.
Deve-se ajudar os familiares, amigos e vizinhos que vivam sozinhos, oferecendo-se para ir ás compras e transmitir recados para a família que apresente maior risco de contrair a doença. Deve-se ter em consideração que a pandemia pode durar vários meses e que surge em vagas. Dever-se-á antecipar o que será necessário ter em casa durante uma pandemia.
Neste caso, deverá ter alimentos suficientes para 5 dias, de preferência, alimentos que não se estraguem rapidamente e que não exijam refrigeração, preparação ou água, como por exemplo: enlatados de carne, peixe, fruta e vegetais, barras energéticas, cereais, frutos secos, bolachas, sumos engarrafados, entre outros. Deverá ter água para cinco dias e para a higiene diária.
Um estojo de primeiros socorros que inclua medicamentos de uso corrente, luvas de látex descartáveis, compressas, desinfectantes, antibióticos e termómetro é também essencial possuir. Deve ter também em casa os medicamentos receitados para toma diária por doenças crónicas ou continuadas (tensão alta, diabetes, reumatismo, doenças de coração) ou em caso de emergência, ter insulina, inaladores para a asma, entre outros. O ideal será ter uma dose adicional para um mês destes medicamentos.
Deve possuir também um rádio a pilhas e lanterna, bem como reserva de pilhas para ambos. Artigos sanitários de limpeza como lixívia, lenços de papel, sabão, anti – séptico à base de álcool e máscaras de protecção também devem existir em reserva em casa. Deve ter também dinheiro para pagamento de serviços ao domicílio ou outros serviços/ produtos.
No caso de uma epidemia, deve-se prever o encerramento de escolas e ATL’s e, consequentemente, a ocupação das crianças em casa; ter livros, jogos e recolher, junto dos professores trabalhos escolares que possam ser feitos em casa. Deve também ter uma lista actualizada dos telefones de emergência e deve prever a entrega das crianças aos cuidados de uma pessoa responsável, no caso dos pais ou encarregados de educação estarem contaminados.
Nas compras, deve evitar fazer compras nas horas de ponta para evitar grandes grupos de pessoas. Deve utilizar luvas no manuseamento dos carrinhos de compras e dos artigos à venda que poderão estar contaminados e só deverá retirar as luvas em casa e de seguida devem ser deitadas para o lixo num saco fechado.
Em relação aos locais de trabalho ou escolas, deve ficar em casa se se sentir doente. Não deve utilizar transportes públicos, escolhendo fazer o percurso de forma a evitar a hora de ponta. Deve também evitar o contacto com outras pessoas, ou caso não seja possível, manter-se a um metro de distância das mesmas. Deve evitar cumprimentos como apertos de mão, abraços ou beijos. Sempre que possível deve cancelar ou adiar viagens e reuniões ou fazer reuniões através de vídeos ou tele – conferências.
Deve utilizar o correio electrónico para transmitir informações, levar almoço de casa evitando comer no local de trabalho ou nos refeitórios, deve utilizar máscaras em locais com concentração de pessoas no trabalho ou na escola e utilizar as escadas de serviço, em vez dos elevadores, usando um lenço de papel ou luvas para tocar no corrimão se necessário.
Mantenha sempre contacto com as autoridades de saúde e mantenha-se sempre a par das recomendações médicas e da Direcção Geral de Saúde, informando estas entidades do evoluir da doença no caso de estar contaminado. .
Fonte: Brochura Gripe – Prepare-se e Previna-se da Cruz Vermelha Portuguesa – www.cruzvermelha.pt
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