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| Colocada: Thu Nov 13,2008 8:37:37 AM Democracia Aberta |
Evolução da família em Portugal
A família como primeiro espaço educativo:
A família é o primeiro espaço onde cada individuo se insere, sendo neste contexto que a pessoa se inicia na sociabilização que o levará à articulação com a comunidade. É no seio familiar que se faz a transmissão de valores, costumes e tradições, sendo neste que o jovem/criança os absorve e se adapta á existência de regras com as quais terá de conviver quando inserido na sociedade real. Uma família sem regras e hierarquias corre o sério risco de formar pessoas irresponsáveis e com sérias dificuldades de integração na sociedade comum.
A família funciona assim como o lugar onde se aprende a viver, a ser e a estar e onde se inicia o processo de consciencialização dos valores inerentes á sociedade.
Esta surge com direitos e deveres, portanto, é detentora de um importante papel educativo, sendo também o principal motor de desenvolvimento das capacidades cognitivas e na estruturação das características afectivas das crianças.
Sendo a instituição mais privilegiada da educação, tem sido alvo de inúmeras mudanças ao longo das últimas décadas, as quais importa conhecer e analisar. Não podemos pensar que a estrutura familiar é estanque e imóvel face ás mudanças sociais, económicas e politicas que ocorreram, portanto, o conceito familiar existente em 1960 é totalmente diferente da realidade actual.
A evolução das famílias:
Nos últimos cinquenta anos, no Ocidente, a família modificou as suas estruturas e organizou-se de diversas formas tendo em conta os novos valores vigentes.
O tradicional conceito de família pode-se definir como o conjunto de pessoas que residem no mesmo alojamento e que possuem relações de parentesco entre si. Este tipo de família era geralmente extenso (constituída por avós, maternos, paternos ou ambos, pais e filhos) apresentando um elevado número de indivíduos de várias gerações, residentes no mesmo local.
A estrutura familiar obedecia a uma determinada organização com papéis e funções bem definidas para cada elemento e por este mesmo motivo não pode ser considerada um sistema estanque e inalterável. Os elementos da família transformaram-se ao longo da sua vida familiar, mediante as exigências do interior ou do meio social onde se tornou necessária a adaptação a novos papeis de modo a equilibrar o seu funcionamento.
A família nunca pode ser isolada das alterações culturais, sociais ou económicas e por esta razão podemos então afirmar que as principais mudanças sofridas deveram-se a:
1) Industrialização: principalmente na época da Revolução industrial, com consequências danosas, com o afastamento do pai do lar para ir trabalhar, abandonando as actividades de auto subsistência exercidas, regra geral, junto à habitação familiar;
2) Urbanização: a migração da população das áreas rurais para as áreas urbanas fez com que muitas famílias partissem deixando os familiares mais velhos no local de origem;
3) Entrada da mulher, de forma activa, no mercado de trabalho e consequente investimento nas suas carreiras e na mobilidade profissional;
4) Controlo da natalidade e adiamento da idade de maternidade;
5) Fomento de métodos contraceptivos,
6) Aparecimento de novos valores face à sexualidade,
7) Mudança de atitude em relação aos filhos e obrigações parentais;
8) Legalização do divórcio e consequente aumento da taxa de divórcios;
9) Redução da nupcialidade;
Assistimos, deste modo, à inversão do conceito tradicional de família motivada pelas razões acima apresentadas. Todos estes motivos originaram novas tipologias familiares
a) Famílias monoparentais: referem-se à relação com os filhos por parte das mães ou pais solteiros, viúvos ou divorciados. Em 2005, estas famílias representavam 20% do total de todas as famílias. Na origem das famílias monoparentais estão os novos processos ideológicos e tecnológicos, a libertação sexual, o maior entendimento das necessidades e direitos das crianças, uma vivência mais individualista, na emancipação da mulher e na sua entrada no mundo laboral, bem como no aumento da igualdade de géneros.
b) Famílias recompostas: a realidade do divórcio em Portugal é recente: foi autorizado em 1975 e tem vindo a aumentar no nosso país. Portanto, nada mais natural que uma pessoa divorciada contraia novo matrimónio e tendo, geralmente, filhos da anterior relação, constitua com eles uma nova família. A este novo tipo de família chamamos família recomposta;
c) União de facto: trata-se de uma realidade bastante semelhante ao casamento. No entanto, a União de facto não implica a existência de qualquer contrato escrito, podendo ser realizada por pessoas do mesmo sexo e embora se estabeleça como comunhão plena de vida, no plano pessoal o mesmo não se aplica no plano patrimonial. O casamento, por seu lado, exceptuando o regime de separação de bens, trata-se de um contrato de comunhão de vida pessoal e patrimonial.
d) Famílias Unipessoais: a par do divórcio, da viuvez e do facto de se ser solteiro existem as famílias unipessoais, numa variação que entre 1991 e 2001 rondava 45% das famílias portuguesas. Estamos a falar de pessoas que vivem sozinhas, resultado das causas já referidas, acentuando-se uma tendência de género feminino na população jovem, pois nas camadas mais idosas femininas a vivência com os filhos em situação de divórcio ou viuvez ainda é bastante frequente.
A redução dos agregados domésticos é cada vez mais visível, passando de uma média de 3, 8 indivíduos em 1960 para 2,8 no ano de 2001. Por seu lado, a percentagem de agregados familiares com cinco ou mais membros também sofreu uma acentuada redução representando em 2001 apenas 3, 3% do total das famílias, ou seja, cerca de um quinto do que representava em 1960.
A nível geográfico observamos diferenças entre o litoral e o interior, sendo que segundo os Censos de 2001, o interior do país ainda apresenta uma considerável taxa de conjugalidade e um número elevado de famílias numerosas. O mesmo não se passa na zona litoral do país que apresenta um elevado número de pessoas sós, mais famílias monoparentais e mais casais com reduzido número de filhos.
Se antigamente os filhos só saíam de casa dos pais para se casarem, o mesmo não se passa actualmente. O grupo dos 20 aos 29 anos apresenta predominância para viverem sós ou em situação de casal sem filhos ou com um filho apenas, assistindo-se a um reduzido número de jovens desta faixa etária a viverem em situação de família complexa (com os pais, por exemplo). Assim sendo, estes dados revelam um aumento da individualização dos jovens e o incremento da autonomia residencial dos jovens casais, ao mesmo tempo que tendem a adiar para mais tarde a entrada na parentalidade.
Em relação à população com 65 e mais anos, verificamos um aumento da proporção de indivíduos a viver em situação familiar simples (de casal sem filhos ou em situações de viuvez) em detrimento de agregados familiares complexos. Embora seja a população idosa a que mais vive em situação de família complexa, o crescimento do número de famílias unipessoais foi mais acelerado neste grupo etário, identificando assim o isolamento como fenómeno em expansão no fim da vida.
Existe uma longa tradição familiar no nosso país que só agora começa a sofrer alterações, visíveis da década de 90 em diante. Dos anos 70 aos anos 90 as estruturas familiares caracterizavam-se por uma elevada taxa de nupcialidade, por uma baixa taxa de nascimentos fora do casamento, baixos níveis de coabitação sem ser em situação matrimonial e de uma modesta taxa de divórcio comparada com as estatísticas da restante Europa.
A redução generalizada do número de casamentos é outro fenómeno observado e de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a percentagem de famílias com um só filho ronda os 53,7%, com dois filhos 34,4% e com três ou mais filhos 11,9%.
Em 26,1% dos casamentos realizados em 2005 existiam filhos anteriores ao casamento, sendo que a idade média do nascimento do primeiro filho está entre os 27, 5 anos (dados de 2005). A idade média para o casamento continua a aumentar em ambos os sexos: 31,3 anos para os homens e 28,9 anos para as mulheres.
O divórcio revelou-se um importante fenómeno demográfico em Portugal, bastante significativo nas últimas décadas. Desde que foi autorizado em 1975, o seu número aumentou consideravelmente em Portugal, tendo sido decretados 22, 853 divórcios no ano de 2005.
Em suma, o surgimento de novas tipologias familiares é decorrente de factores temporais, económicos, históricos e sociais. O tradicional conceito familiar vigente até ás décadas de 60/70 constituído por avós, pais e filhos está-se a tornar cada vez mais obsoleto dando origem a novos tipos de famílias cada vez mais frequentes na nossa sociedade.
Fontes: http://www.ine.pt/Xportal/
http://4pilares.zi-ju.com/?page_id=327
http://www.scielo.oces.mctes.pt
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