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| Colocada: Fri Nov 21,2008 12:24:16 PM Democracia Aberta |
Universidades seniores
A idade não é uma doença e o envelhecimento deve ser encarado como um processo universal inerente a todos os seres vivos e que se pode dividir em três componentes:
1- Envelhecimento biológico
2- Envelhecimento social
3- Envelhecimento psicológico
O aproximar da idade da reforma constitui para muitos um motivo de preocupação e tristeza, pois, de repente, após uma vida plena de trabalho, a pessoa deixa de ter o tempo ocupado e o ócio é conducente a estados de tristeza e depressão. A forma como as pessoas encaram a vida até à velhice pode ser decisiva para o delinear de novos percursos que não passem pela inactividade, ou seja, trocar uma velhice passiva tradicional por uma velhice activa.
O envelhecimento activo é precisamente o conjunto de atitudes e acções que podemos ter no sentido de prevenir ou adiar as dificuldades que envelhecer inevitavelmente acarreta. A qualidade de vida que um sénior pode alcançar é um dos principais factores a ter em conta quando pensamos na temática do envelhecimento.
Durante muitos anos a grande preocupação da investigação médica foi a longevidade, porém, progressivamente, tornou-se premente dar prioridade à preocupação com a qualidade de vida dos idosos em termos de bem estar psíquico.
Se um idoso sentir a plenitude das suas faculdades mentais sente-se competente, válido e activo. A aprendizagem permanente ao longo da vida activa pode ser, sem dúvida, uma motivação para as pessoas da 3ª idade.
A associação da aprendizagem aos períodos da infância e juventude, da actividade profissional à fase adulta e da inactividade à pessoa idosa já não corresponde à realidade. Assim, presentemente verifica-se o crescente afastamento da tradicional imagem do idoso inactivo, aposentado na vida e a sua substituição pela dos idosos dinâmicos e integrados numa vida comunitária.
A experiência e o saber acumulados que a idade proporciona são uma mais – valia em qualquer sociedade, desde que esta os saiba potenciar e integrar.
Na realidade, a aprendizagem na 3ª idade assemelha-se muito à aprendizagem na infância. A pessoa que se reforma e que se encontra em pleno uso das suas faculdades físicas e intelectuais deseja aplicar o seu tempo e a sua disposição a fazer algo que goste e estudar é uma das opções.
Na sequência desta nova faceta do envelhecimento as Universidades criaram estruturas físicas e administrativas próprias, criando aulas e currículos específicos para este tipo de ensino, bastante diferenciado do ensino tradicional.
Estas Universidades Seniores são, assim, o reflexo de uma mudança de atitude perante a vida.
As Universidades da Terceira Idade (UTI) surgiram na década de 70 em França. Os princípios básicos destas universidades mantêm-se inalteráveis até hoje: proporcionar aos mais velhos a possibilidade de aprenderem e de ensinarem promovendo o salutar convívio inter geracional.
Este movimento alastrou rapidamente pela Europa chegando a Portugal em 1976 com a criação da Universidade Internacional da Terceira Idade de Lisboa.
Todas as UTI ministram cursos e disciplinas dando sempre primazia à divulgação cultural e científica. As aulas são complementadas com diversas actividades recreativas: teatro, coros, dança, ginástica, pintura e passeios.
Uma das primeiras características sobre as UTI é o facto de se situarem principalmente nos meios urbanos, com maior implantação no litoral do país, principalmente na região do litoral norte, ou seja, curiosamente as UTI encontram-se em maior número nas regiões do país com menor índice de envelhecimento e com um reduzido número de lares e centros de dia, pois no Norte do país “ as características são de um povoamento mais disperso de população idosa e as relações de sociabilidade com a família e a vizinhança são, sem dúvida, mais intensas”.
Em Espanha as UTI estão ligadas às universidades tradicionais tendo desenvolvido departamentos especialmente destinados à formação de seniores. Em Portugal não existe nenhuma instituição de ensino superior com departamentos dedicados à formação de pessoas da 3ª idade, porém o Ministério da Educação permite o uso da denominação “ Universidade” desde que as UTI se comprometam em não atribuir qualquer tipo de certificados ou graus académicos aos seus alunos.
A maior parte destas Universidades trabalham com professores em regime de voluntariado, existindo, no entanto, algumas que pagam aos seus professores, possuindo, por este motivo, mensalidades ligeiramente mais elevadas. Na sua grande maioria funcionam como associações sem fins lucrativos exceptuando 4 casos que se tornaram Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) com o objectivo de obterem apoios estatais.
Alunos com mais de 55 anos podem frequentar estas Universidades Seniores e encontrar nelas um vasto leque de úteis matérias tão variadas como Língua e Literatura Portuguesa, Cultura Geral, Inglês, Francês, História, Artes Decorativas, Artes Plásticas, Pintura em Azulejo, Música, Informática e Ginástica.
A par da criação das Universidades Seniores foi lançada, a 13 de Novembro de 2007, a Universidade Sénior Virtual que visa promover o uso das novas tecnologias, ajudando a despertar o interesse pela aprendizagem ao longo da vida.
Este projecto foi também fruto das reflexões da III Assembleia da ONU sobre o Envelhecimento, na qual se debateu a necessidade premente de promover a autonomia dos mais velhos, aumentando, deste modo, a inclusão social e combatendo o isolamento e a descriminação por idade.
Este novo projecto tem aulas on-line, sugestões, informações úteis, fóruns, auditório com aulas em directo e uma mediateca.
Segundo Luís Jacob, responsável pela RUTIS (Rede de Universidades da Terceira Idade), as novas tecnologias sempre foram a disciplina mais procurada pelos diversos alunos das Universidades de Terceira Idade, o que “ revela que havia espaço para esta nova modalidade, a História e a Saúde deixaram de ser as disciplinas favoritas, sendo substituídas pelo Inglês e pelas novas tecnologias.”
Existem actualmente 33 UTI com mais de 5000 alunos inscritos sendo as maiores a Universidade de Lisboa da Terceira Idade (ULTI) e a Universidade Autodidacta e da Terceira Idade do Porto (UATIP).
Algumas Universidades e Academias seniores em Portugal:
- Academia da Cultura e Cooperação (Lisboa);
- Academia de Cultura e Cooperação – Universidade Sénior de Santa Maria da Feira;
- Associação de Cultura e Ensino de Espinho – Universidade Sénior de Espinho;
- Centro de Convívio dos Antigos Alunos da Escola Industrial e Comercial de Braga;
- UNIATI – Universidade da Amadora para a Terceira Idade;
- Universidade Douro Sénior do Porto;
- UTI – Universidade de Lisboa para a Terceira Idade;
- Universidade Minhota do autodidacta para a Terceira Idade;
- Centro de Convívio para a Universidade Minhota e da Terceira Idade;
- Centro Cultural Regional de Vila Real – Universidade da Terceira Idade;
UNISI – Universidade Sénior para todas as Idades
- Universidade Sénior de Oeiras
- Universidade Setubalense da Terceira Idade.
Para se poder inscrever na RUTIS, uma Universidade de Terceira Idade deve:
A) Adquirir uma destas denominações: Universidade da Terceira Idade; Universidade Sénior, Academia de Cultura ou Instituto Cultural Sénior ou Clube Sénior.
B) Promover regularmente actividades de convívio e de ensino não formal para adultos de diversas matérias e realizar visitas de estudo ou iniciativas culturais.
C) Ter estatutos aprovados e registados, bem como possuir número de contribuinte. A UTI pode ser autónoma ou associada a outra instituição.
D) Criar a Associação sem fins lucrativos
E) Possuir pelo menos 50% dos professores em regime de voluntariado e pelo menos 75% dos alunos com mais de 50 anos.
Quais os requisitos necessários para a criação de uma UTI (Universidade de Terceira Idade)?
1) Juntar um grupo de seniores, mínimo de 10 pessoas, que estejam interessados no projecto.
2) Encontrar uma associação sem fins lucrativos, que acolha a ideia (pode ser uma Misericórdia, a Paróquia, a autarquia, uma escola ou uma associação recreativa) ou proceder à criação de uma associação.
3) Encontrar uma sala de aulas com capacidade para 20 alunos.
4) Procurar professores que tenham disponibilidade para ministrar uma hora de aulas por semana em regime de voluntariado. .
5) Organizar o funcionamento, em horário laboral, das disciplinas a ministrar na UTI.
6) Angariar apoios ou donativos através das empresas ou proceder à cobrança de mensalidades que não devem ultrapassar a quantia mensal de 12 euros.
Portanto, as Universidades da Terceira Idade foram mais um valioso contributo para a manutenção de um envelhecimento activo em total contraste com a imagem já ultrapassada de uma terceira idade inactiva. Aliado à constante necessidade de aprendizagem do ser humano, as UTI trouxeram a muitos seniores a resposta que estes procuravam acerca da gestão do seu tempo livre depois da reforma. Aliou ainda a sabedoria e a experiência de vida destas pessoas à necessidade permanente do ser humano na obtenção de novos conhecimentos, proporcionando aos idosos a oportunidade de aprender novas matérias como Inglês e novas tecnologias, sem que estes sentissem uma ruptura repentina na passagem da vida activa para a reforma, envelhecendo, sem dúvida alguma, com qualidade de vida.
Fontes: www.novausal.no.sapo.pt
www.psicronos.pt
www.expressoemprego.pt
www.clubemilleniumbcp.pt
www.espigueiro.pt
www.publico.clix.pt
www.usc.no,sapo.pt
www.rutis.org
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